Primeira Parte · página 6

A CONVIVÊNCIA

Minha luta diária nem sempre é contra as dificuldades da vida ou contra aquilo que posso enxergar. Muitas vezes, minha maior luta está nas pessoas e nas situações que, de alguma forma, acabam me fazendo distanciar das coisas de Deus. Não porque eu queira me afastar, mas porque existem momentos em que as palavras, as atitudes, as decepções e os conflitos ocupam tanto espaço dentro de mim que, aos poucos, começam a tirar a minha paz. E quando perdemos a paz, corremos o risco de também perder o silêncio necessário para ouvir a voz de Deus. Tenho aprendido que nem sempre posso mudar as pessoas que estão ao meu redor. Não posso obrigá-las a compreender aquilo que sinto, nem fazer com que caminhem pela mesma estrada que escolhi seguir. Mas posso decidir não permitir que aquilo que vem delas determine a distância entre mim e Deus. Talvez essa seja uma das maiores lutas da vida, conviver com aqueles que, mesmo sem perceber, nos afastam daquilo que temos de mais precioso. E, ainda assim, não permitir que a mágoa, a revolta ou a decepção ocupem o lugar que pertence a Deus em nosso coração. Preciso aprender, todos os dias, a amar sem me perder, a perdoar sem esquecer o que preciso proteger e a me afastar, quando necessário, sem deixar de desejar o bem. Porque, no fim, não quero que as atitudes de ninguém sejam mais fortes do que o meu desejo de permanecer próximo de Deus. Sinto as vezes o desejo de me isolar para evitar a distância entre Deus e eu. Mas ao mesmo tempo percebo que não é uma saída, simplesmente acabarei também me distanciando das coisas que Deus deseja de mim e de uma outra forma acabarei cometendo o mesmo distanciamento.