Primeira Parte · página 21
DIGNO DE SERVIR
Não quero olhar com meus olhos aquilo que não posso consertar, pois isso apenas me traria frustração e desânimo.
Prefiro direcionar meu olhar ao que está ao meu alcance, onde minhas mãos possam agir, e meu coração, unido à disposição de servir, possa transformar o pouco em muito.
Quero enxergar com os olhos da fé, que não se percam no desespero, mas encontrem sentido mesmo nas pequenas tarefas.
Porque servir é também uma forma de enxergar e ver o mundo não como ele é, mas como pode se tornar quando tocado pelo amor.
Não escolho fugir do impossível, pois sei que há impossíveis que pertencem ao milagre, e o milagre é a parte de Deus naquilo que me ultrapassa.
O que me cabe é permanecer fiel no que posso realizar, com coragem, paciência e entrega, as demais coisas, confio àquele que tudo pode.
Desejo, então, que Deus me faça forte naquilo em que posso ser instrumento de bem, para que o pouco que faço, feito com amor, se torne semente de esperança no coração de alguém.
Assim, não busco grandes feitos, mas gestos verdadeiros, porque é na simplicidade do serviço que a alma encontra o sentido da vida.
E quando o tempo passar e minhas forças se tornarem fracas em razão da idade, ainda assim poderei olhar para o alto e dizer:
“Senhor, fiz o que estava ao meu alcance, as demais coisas foi Tua graça.”
E nessa certeza repousarei em paz, sabendo que fui digno de servir.