Segunda Parte · página 61
O MISTÉRIO DAS COISAS RECEBIDAS
Há aproximadamente dezesseis anos, algo silencioso e profundo passou a fazer parte da minha caminhada espiritual. Não foi algo que busquei, foi algo que me encontrou, fruto de inspiração divina. Há noites em que desperto com uma serenidade interior que me move a escrever, como se a alma quisesse traduzir em palavras aquilo que a oração preparou em silêncio.
As primeiras frases surgem espontâneas, antes mesmo que eu as organize. Algumas vezes são respostas às minhas inquietações; outras, são palavras de consolo que desejei oferecer a alguém que sofria.
Mesmo nos períodos de aridez espiritual, quando tudo parece deserto, percebo que é justamente aí que a fé trabalha em profundidade, e desse silêncio nascem muitas reflexões.
Não afirmo que essas inspirações provenham de uma presença celestial específica. Não me considero digno de favores extraordinários, nem desejo atribuir-lhes uma origem que não posso afirmar com certeza. O que sei é que elas me ajudaram e ajudaram outros, tocando corações de maneiras que minha capacidade humana, isoladamente, não explicaria.
Chamá-las de minhas seria exagero. Sou apenas quem as escreve. Elas me visitam como fruto da oração, da busca sincera e da misericórdia de Deus que consola.
Que eu permaneça sempre pequeno diante d’Ele, para que Ele permaneça sempre grande em mim.
Que eu nunca me glorie do que escrevo, mas agradeça o que recebo. E que cada despertar inesperado seja visto não como peso, mas como oportunidade humilde de servir.
Pois aquilo que nasce da fé encontra sempre o coração de quem mais precisa.