Primeira Parte · página 43
O VERDADEIRO AMOR PELO PRÓXIMO
Quando, através de Deus, descobrimos o verdadeiro amor pelo próximo, nossa vida se transforma de maneira silenciosa e profunda. O que antes fazíamos por costume ou obrigação passa a brotar naturalmente do coração, como fonte que jorra de um solo novo, o da gratidão.
Amar deixa de ser um esforço, e se torna resposta ao amor primeiro que vem de Deus. É Ele quem desperta em nós a ternura que abraça, a compaixão que compreende, e a paciência que perdoa.
Assim, o coração, renovado, já não busca ser amado, mas sente alegria em amar.
Cada novo dia nasce como uma oportunidade sagrada, não para buscar glória própria, mas para servir e realizar o bem, ainda que em gestos pequenos e discretos.
Porque o amor verdadeiro não precisa ser visto, basta que ele aconteça.
E nesse gesto simples, porém divino, a alma se enche de prazer, não o prazer passageiro do mundo, mas a alegria serena e duradoura que só Deus pode conceder.
É uma alegria que não se explica, apenas se vive a certeza de que, em cada ato de amor, Deus age em nós e através de nós.
Amar o próximo em Deus é tocar o céu já aqui na terra.
É sentir que o Reino começa dentro do coração e se estende, silenciosamente, a tudo o que tocamos. É perceber que cada olhar de ternura, cada gesto de bondade, é uma oração viva, uma semente plantada na eternidade.