Primeira Parte · página 57
UMA FÉ QUE PROCURO
Como posso falar de uma fé que, às vezes, não sinto?
Há momentos em que procuro dentro de mim aquela certeza, aquele sentimento que me faça perceber a presença de Deus, e não o encontro. E, por não encontrá-lo, chego até a me condenar, como se a ausência de um sentimento significasse também a ausência da fé.
Mas Deus continua ali. Fica à porta, esperando que eu entre. Não exige de mim grandes gestos ou respostas extraordinárias. Apenas me espera com as mãos abertas, oferecendo-me um encontro simples, mas capaz de transformar tudo. Uma proposta que deveria ser irrecusável, pois esse é o momento que tantas vezes desejei viver.
E, mesmo assim, eu reluto.
Não consigo compreender por que, diante desse mistério, a razão tantas vezes se coloca à minha frente. Talvez porque seja difícil aceitar aquilo que não conseguimos explicar, tocar ou compreender plenamente. Quero entender para acreditar, quando, muitas vezes, Deus apenas me pede que eu acredite para então começar a compreender.
Mas percebi algo importante em minha caminhada, é justamente nos momentos em que me sinto mais frágil que Deus parece habitar mais profundamente em mim.
Quando minhas forças diminuem, quando minhas certezas se tornam pequenas e quando já não consigo encontrar respostas, descubro que não estou sozinho.
Então compreendo que a fé não é apenas um sentimento. A fé é muito maior. É permanecer, mesmo quando não sentimos. É continuar procurando, mesmo quando parece que Deus está em silêncio. É abrir as mãos e o coração, desprendendo-se um pouco das coisas do mundo para encontrar as coisas de Deus. Talvez a verdadeira fé não seja aquela que nos faz sentir Deus todos os dias, mas aquela que nos faz continuar caminhando em Sua direção, mesmo nos dias em que não conseguimos senti-Lo.
Porque, no fim, percebo que, enquanto eu procurava a fé dentro de mim, Deus já estava à porta, esperando apenas que eu abrisse o coração para deixá-Lo entrar.