Primeira Parte · página 23
ENTRE O APEGO E A FÉ
Há momentos em nossa vida em que o coração sente medo.
O medo de se apegar demais às coisas que nos trazem alegria, às pessoas que amamos, e os instantes que parecem eternos. Enquanto tudo está bem, vivemos envolvidos por essa paz doce, como se nada pudesse mudar. E, nesse tempo de luz, até esquecemos das dores, das perdas e das tristezas.
Mas então, de repente, a vida nos desperta. A realidade nos chama de volta e nos lembra de que tudo tem um início, meio e fim. E por mais que saibamos disso, nunca estaremos preparados para o fim. O coração resiste, o corpo cansa, a alma se entristece, porque não fomos criados para perder, mas sim para amar.
Há dias em que esse vai e vem da vida pesa. Dá vontade de não se apegar em mais nada, de construir muros em vez de pontes, de evitar a alegria para não sentir a falta dela depois. E é então que nasce a sensação amarga de que a felicidade talvez seja uma utopia, algo bonito demais para durar.
Mas, mesmo nesses momentos, precisamos lembrar que Deus está vendo tudo. Ele conhece o que se passa dentro de nós, a dor da perda, o medo da despedida, a luta entre o querer e o deixar ir. Ele compreende, sabe que não temos Sua sabedoria, nem a Sua visão do tempo. Sabe que, para nós, cada fim ainda parece injusto, cada ausência ainda dói.
E é por isso que Ele não interfere de imediato. Em vez disso, Ele nos acolhe, com ternura e paciência, até que aprendamos que o amor verdadeiro não se perde, apenas muda de forma.
Que Deus, em Sua infinita misericórdia, nos ensine a viver o amor sem medo, a abraçar a felicidade sem a culpa da partida, e a confiar que, mesmo quando algo termina, o amor que vivemos continua existindo n’Ele, onde nada se apaga, e tudo se cumpre.