Primeira Parte · página 24

ENTRE O CUIDADO E A LIBERDADE

Há pessoas que cuidam de nós com tamanha dedicação, que acabam sem perceber, nos prendendo dentro do próprio zelo. Querem moldar o que já é formado, educar o que a vida já ensinou, corrigir o que apenas precisava ser acolhido. É um amor que nasce da boa intenção, mas que, quando exagerado, acaba pesando sobre a alma. Porque amar também é permitir que o outro seja quem é.

Muitas vezes suportamos esse cuidado excessivo por amor, por paciência, ou simplesmente por desejo de manter a harmonia. E nesse silêncio, aprendemos a ouvir mais do que a falar, a conter as palavras, a aceitar o que não precisamos mudar. Mas nem sempre essa aparente calma é crescimento, às vezes é apenas a alma cansada de lutar para ser compreendida.

O verdadeiro cuidado é aquele que acolhe, e não o que controla. É o amor que acompanha, não o que aprisiona. Deus, que é o Amor perfeito, cuida sem prender, ensina sem impor, e corrige com ternura. Ele nos mostra que o zelo só é santo quando preserva a liberdade.

Assim também deve ser entre nós, cuidar sem dominar, proteger sem sufocar, orientar sem tirar do outro o dom mais precioso que Deus nos deu, a liberdade de ser.