Primeira Parte · página 38

O PROPÓSITO DO QUE VEMOS

Tudo o que Deus coloca diante de nossos olhos tem um propósito, nos convidar à reflexão. Nada é por acaso, nada é inútil, pois até o que não compreendemos pode nos ensinar algo se estivermos atentos à presença de Deus nas pequenas coisas.

Devemos aprender a comparar o que vemos com aquilo que estamos fazendo. Se o que contemplamos é bom, se edifica, se traz paz ao coração, então que sirva de exemplo e se torne prática constante em nossa vida e no trato com o próximo. Mas se o que vemos é ruim, se confunde, ou se fere a alma, que seja imediatamente descartado, pois o mal, mesmo disfarçado de beleza, não deve ser acolhido.

O inimigo sabe se vestir de luz, mas seu brilho é frio e passageiro. O bem, ao contrário, ilumina com doçura, aquecendo o coração e trazendo serenidade. Por isso, é preciso discernir o que diante de nós se apresenta, para que o olhar não se torne instrumento de engano, mas de sabedoria.

Aquilo que não serve para nós, dificilmente servirá para alguém, pois o que não edifica o espírito, acaba por se tornar peso e sombra. Permita, então, que o bem se torne permanente em seus gestos, que a bondade seja a marca de suas ações e a pureza, a linguagem de seu coração.

E que o mal, quando se aproximar, seja como um véu que cobre os olhos, impedindo que o engano se torne guia. Pois o olhar que permanece em Deus nunca se perde, abre os olhos a verdade, discernindo entre o que destrói e o que constrói, entre o que vem do mundo e o que vem do Céu.