Primeira Parte · página 48

QUANDO AS COISAS FOGEM DE NOSSAS MÃOS

Quando as coisas fogem das nossas mãos e passam para as mãos de Deus, chega o momento mais verdadeiro da nossa fé. É nesse instante que somos convidados a reconhecer que existem limites para a nossa força, mas não para o poder do Senhor.

Se decidirmos confiar, nosso coração deixará de agir apenas pelo impulso das emoções e encontrará equilíbrio na razão iluminada pela fé. Sei que, diante de determinadas situações, isso é extremamente difícil. No entanto, é justamente nesses momentos que somos chamados a manifestar uma confiança que vai além do entendimento humano.

Quando o sofrimento atinge alguém que amamos, é natural que sintamos sua dor. Essa é a resposta de um coração que conhece o amor e vive a entrega ao próximo. Porém, precisamos compreender que sofrer da mesma forma não aliviará o peso do outro e, muitas vezes, ainda diminuirá nossa capacidade de ajudá-lo.

Deus não nos pede um coração indiferente, mas um coração sereno. Um coração que acolhe, consola, sustenta e permanece firme, porque sabe que a última palavra nunca pertence ao sofrimento, mas ao Senhor.

Por isso, mais do que nos deixarmos dominar pela angústia, devemos buscar a sabedoria e a paz que descem do Céu. São elas que fortalecem nossa esperança, iluminam nossas decisões e nos concedem a resposta de que realmente precisamos.

Confiar não é desistir de lutar. Confiar é reconhecer que, quando nossas forças se esgotam, Deus continua agindo. E quem coloca sua vida em Suas mãos jamais caminha sozinho.

"Cuide-se antes de cuidar"