Primeira Parte · página 53

SER SANTO

Ser santo não é ser diferente dos outros, nem se considerar melhor do que ninguém. Santidade não é um privilégio que nos coloca acima dos demais, mas uma escolha diária de caminhar na presença de Deus.

Ser santo é ter consciência de que somos chamados por Deus para nos afastarmos de tudo aquilo que nos distancia Dele e nos aproximarmos, cada vez mais, das coisas que vêm do céu.

É procurar viver de tal maneira que nossa própria vida possa ser um exemplo, não de perfeição, mas de esperança, fé, amor e confiança em Deus. É mostrar, através de nossas atitudes, que é possível escolher o bem mesmo quando o mundo nos apresenta outros caminhos.

Ser santo também é trazer para perto aqueles que desejam encontrar a salvação. Não para julgá-los, nem para exigir deles aquilo que ainda não conseguem oferecer, mas para caminhar ao seu lado, oferecendo uma palavra de esperança, um gesto de amor e, principalmente, o testemunho de uma vida que procura seguir Cristo.

Professar a nossa fé é muito mais do que pronunciar palavras. É viver de modo que aqueles que nos observam possam perceber que Deus ocupa um lugar verdadeiro em nosso coração.

É acreditar que o céu não começa somente depois desta vida. Ele começa aqui, quando permitimos que Deus transforme nosso coração e quando fazemos de nossa existência um caminho de amor, perdão, caridade e serviço. Se vivermos assim, estaremos preparando, desde agora, o encontro definitivo com Deus e o caminho para a salvação.

Não precisamos fazer milagres para sermos santos. Não precisamos realizar grandes obras aos olhos do mundo. Talvez a maior demonstração de santidade seja simplesmente estar presente quando alguém nos procurar em busca de uma palavra de paz.

Às vezes, ser santo é saber ouvir sem julgar. É acolher sem perguntar de onde a pessoa veio. É estender a mão quando alguém já não consegue caminhar sozinho. É dizer uma palavra que devolva esperança a quem pensa que tudo está perdido.

Porque talvez Deus não nos peça para transformar o mundo inteiro. Talvez Ele nos peça apenas para transformar, pelo amor, o pequeno espaço que está ao nosso alcance. E, quando chegar o dia em que estivermos diante Dele, talvez descubramos que os maiores gestos de nossa caminhada não foram aqueles que o mundo viu, mas aqueles pequenos atos de amor que somente Deus conheceu.