Primeira Parte · página 55

SERVIR O SAGRADO

Estar ministro da Eucaristia não foi uma escolha pessoal. Foi uma resposta do Céu à nossa conduta, um chamado silencioso que nasceu do olhar amoroso de Deus sobre a nossa caminhada na fé e na Igreja. Não fomos nós que escolhemos este serviço, foi o Espírito Santo quem nos chamou, nos capacitou e nos confiou esta missão santa.

Por isso, permanecer nesse ministério exige muito mais do que simples presença. Requer entrega, zelo e fidelidade. Ser ministro é assumir, com seriedade e amor, o compromisso de viver o Evangelho em cada gesto, em cada palavra, em cada olhar. É tornar-se sinal visível da presença de Cristo, especialmente quando, diante do altar, servimos ao Corpo do Senhor com o coração em adoração.

O ministro da Eucaristia é chamado a viver a mais profunda forma de humildade, a de ser servo de um Deus que se faz Pão. E esse serviço não termina quando a celebração acaba ele continua no cotidiano, nas atitudes, nas palavras, no testemunho silencioso de quem leva a presença de Cristo aos que mais precisam.

Que nossas atitudes, dentro e fora da Igreja, sejam dignas do ministério que recebemos. Que sejamos exemplos vivos de fé, de reverência e de humildade diante do Mistério. Que em cada comunhão distribuída reconheçamos o dom inefável do Deus vivo, que se entrega a nós para nos transformar.

Ao servirmos a Eucaristia, lembremos que tocamos o sagrado não com as mãos apenas, mas com toda a alma. Cada gesto, cada passo até o altar, cada olhar de fé do povo de Deus, deve ser para nós motivo de gratidão e tremor santo. Porque ali, no silêncio do mistério, Deus se faz presença viva em nós.

Que nosso serviço seja oração, nosso gesto, adoração, e nosso coração, morada constante da graça. E que, ao levarmos Cristo aos irmãos, possamos dizer, com alegria e humildade:

“Já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim.”